Quantos dentes de leite tem uma criança?

Quantos dentes de leite tem uma criança?

Todos os pais e mães acabam um dia passando pela experiência de remover um dentinho de leite do seu filho.

É nessa hora que normalmente paramos para pensar no assunto.

De uma hora para outra nos deparamos com dúvidas que nunca estiveram nas nossas mentes:

O dente de leite tem raiz? A raiz ficou lá dentro? Onde está o dente permanente que vai substituir o dente perdido? Quantos dentes faltam para cair? Vai haver espaço para os permanentes? Os dentes de leite são sempre menores?

Escrevi esse post para tentar ajudar com todas as possíveis dúvidas dos pais sobre os dentes de leite.

Vamos à primeira pergunta:

Quantos dentes de leite tem uma criança?

A dentição decídua (nome técnico para os dentes de leite) é composta por 20 dentes, sendo 10 superiores e 10 inferiores.

Contando do centro para o fundo, cada arcada tem: Dois incisivos centrais, dois incisivos laterais, dois caninos e quatro molares (primeiro e segundo molar).

Os incisivos centrais são maiores que os laterais na arcada superior.

Os incisivos centrais e laterais são praticamente do mesmo tamanho na arcada inferior.

O primeiro molar de leite é menor que o segundo molar de leite nas duas arcadas.

Os dentes de leite têm raiz?

Sim, todos os dentes de leite têm raiz. O que ocorre é que o dente permanente reabsorve essa raiz enquanto erupciona. Por isso o dente fica mole e pode ser facilmente extraído.

Se o dente permanente nascer muito fora da posição e não absorver a raiz do dente de leite, o mesmo continua firme, pois sua raiz não foi destruída. Nesse caso, pode ser necessário ir ao dentista para extrair o dente de leite. Não será possível removê-lo em casa.

Às vezes uma pessoa pode não ter um ou mais dentes permanentes, chamamos isso de “agenesia” ou “anodontia”.

Nesse caso, o dente de leite não tem as raízes absorvidas e pode ficar firme na boca por anos, chegando até a idade adulta.

Todo dente permanente tem um dente de leite correspondente?

Não. A dentição decídua é menor em quantidade de dentes que a permanente.

Isso pode gerar muita confusão, pois o primeiro molar permanente erupciona logo atrás do último molar de leite. O espaço disponível para a erupção do primeiro molar permanente inferior aparece na foto abaixo.

Esse dente muitas vezes é confundido com um dente de leite, já que nenhum dente cai para que ele possa nascer.

É preciso ficar atento. Contando do centro da arcada para o fundo, o primeiro molar permanente é o sexto dente. Normalmente vai erupcionar entre seis e sete anos de idade.

Podemos dizer que o primeiro molar permanente é o dente mais importante para a oclusão. É a partir dele que os outros dentes permanentes vão se encaixando na medida em que vão erupcionando.

Por ser confundido com um dente de leite, pode acabar havendo um certo descuido em se tratar eventuais cáries, contando que ele vai cair em breve.

A incidência de cárie nesse dente é comum devido às suas características anatômicas, com muitos sulcos.

É comum os pais descobrirem que se trata de um dente permanente e importante, depois que o este se encontra comprometido por cárie. Por isso, toda atenção nesse caso, é pouca.

Atrás do primeiro molar, vai erupcionar o segundo molar, lá pelos 11 ou 12 anos de idade. Esse dente também não tem um dente de leite correspondente.

Por fim, nasce o terceiro molar, ou seja, o siso. Isso pode ocorrer entre 18 e 20 anos. Mas esse prazo pode ser bem elástico para os sisos.

Por que o dente de leite não cai?

Existem duas causas principais para um dente de leite não cair.

A primeira causa é a falta de espaço na arcada para a erupção do dente permanente.

Como é o dente permanente que destrói a raiz do dente de leite, se ele não nascer no lugar certo, acaba não provocando a esfoliação, ou seja, não “derruba” o dente de leite.

Nesses casos vamos observar o dente permanente nascendo fora da posição e o dente de leite permanecendo na boca.

Geralmente causando uma certa confusão, pois pode-se concluir (equivocadamente) que foi o dente de leite que atrapalhou a erupção do permanente.

A outra causa para a retenção do dente de leite é a anodontia do dente permanente correspondente.

Anodontia ou agenesia são termos técnicos usados para quando o dente permanente não se forma dentro do osso.

Nesse caso, as raízes do dente de leite correspondente vão continuar intactas e não haverá a esfoliação.

É necessário esperar a troca completa dos dentes para colocar aparelho?

Não. O tratamento das maloclusões pode ser iniciado ainda na dentição de leite. Em muitos casos, não só pode, como deve ser iniciado precocemente.

Assim evitamos uma série de problemas futuros.

Mas esse assunto é bem abordado no Post sobre qual a idade ideal para começar o tratamento ortodôntico. Vale a pena a leitura para complementar essas informações.

Dente de leite atrapalha a erupção do permanente?

Um dente de leite que demora muito para cair pode realmente interferir na erupção do dente permanente correspondente?

Vamos iniciar este post pensando em uma situação bastante comum:

Em uma criança com 6 ou 7 anos, os pais percebem que os incisivos inferiores permanentes estão nascendo por trás dos dentes de leite sem que estes estejam moles.

Por que isso acontece?

Os dentes permanentes erupcionaram assim por que os de leite não foram arrancados no momento certo?

Enfim, o dente de leite pode atrapalhar a erupção do dente permanente?

O que os pais devem fazer nessa situação?

…Continue lendo…

Amamentação e crescimento facial da criança

De todos os benefícios que conhecemos sobre a amamentação, existe um que costuma ser esquecido: A relação entre o aleitamento materno e o desenvolvimento facial.

A amamentação é o primeiro exercício da musculatura facial (lábios, língua e bochechas) do recém-nascido. E devemos lembrar que o trabalho muscular estimula o crescimento ósseo.

A amamentação estimula o desenvolvimento dos maxilares.

Durante a sucção o bebê é obrigado a :

  1. Manter os lábios firmemente colados ao seio materno para evitar o vazamento do leite, isso promove o fortalecimento da musculatura labial que vai ser responsável pelo vedamento labial passivo no futuro (dormir de boca fechada, por exemplo).
  2. Usar a língua para deglutir estimulando o crescimento transversal (largura) do maxilar superior e a maturação da musculatura lingual (evitando problemas na fala e deglutição).
  3. Levar a mandíbula (arcada inferior) para frente e para trás repetidamente para “ordenhar” o seio materno estimulando o crescimento ântero-posterior da mandíbula (ou seja, o queixo da criança cresce para frente).

E ainda precisa respirar pelo nariz ao mesmo tempo. Isso estimula o desenvolvimento das fossas nasais e seios maxilares garantindo uma passagem mais ampla para o ar no futuro.

Um bom desenvolvimento das vias respiratórias afasta a chance da criança se tornar uma respiradora bucal.

Por isso, crianças amamentadas têm menos chances de ter atresia da maxila (arcada superior estreita), mordida aberta, travamento mandibular (queixo pequeno) e apinhamentos (falta de espaço para os dentes), entre muitos outros problemas.

Este tema é muito extenso e merece uma atenção especial por parte dos pais.

É preciso que fique claro que muitos dos problemas de desenvolvimento facial das crianças podem ser evitados com o aleitamento materno.

Mães com dificuldades de amamentar podem procurar ajuda com profissionais de fonoaudiologia para evitar a interrupção deste estímulo ao desenvolvimento da face do recém nascido.

Se a amamentação não foi possível ou foi feita por um período muito curto, é importante se informar sobre a idade ideal para iniciar o tratamento ortodôntico da criança e desta forma, impedir que problemas importantes se instalem durante o desenvolvimento facial.

Qual a idade ideal para iniciar o tratamento de crianças?

Qual é a idade certa para iniciar o tratamento ortodôntico de crianças?

Esta é uma pergunta que gera alguma polêmica pois nem todos os ortodontistas vêem a questão da mesma maneira.

Alguns ortodontistas consideram que um tratamento precoce (entre seis e oito anos) com aparelhos móveis (Ortopedia Funcional dos Maxilares) acaba ficando muito longo desnecessariamente e vêem os tratamentos mais tardios com aparelhos ortopédicos (propulsores mandibulares e aparelhos extra-bucais) associados a ortodontia fixa, como uma alternativa mais eficaz. …Continue lendo…