É comum associarmos o comportamento agitado de uma criança à TDAH, mas talvez a explicação para esse comportamento não esteja apenas no cérebro. Em muitos casos, pode estar ligado à respiração Bucal.
A relação entre a Respiração Bucal e o TDAH vem sendo estudada cada vez mais. E um dos fatores mais importantes nessa relação é o Sono.
O que é respiração bucal?
Respiração Bucal ou Oral ocorre quando a pessoa usa exclusivamente a boca como via respiratória, em vez do nariz.
Entre os fatores que podem levar uma criança a desenvolver Respiração Bucal, podemos citar:
- Pouca (ou nenhuma) amamentação no peito.
- Quadros de alergia respiratória com obstrução nasal frequente
- Aumento das amígdalas e adenóides
As funções do nariz e dos seios da face (filtragem, aquecimento e umidificação do ar) não ocorrem quando se respira pela boca.
Na respiração bucal o ar entra frio, seco e sem filtragem. O que leva à maior predisposição à sinusites e rinites.
Fique atento se a criança apresenta:
- Boca aberta com frequência
- Ronco durante a noite
- Sono agitado
- Dificuldade para acordar
- Olheiras
- Agitação constante durante o dia
Quais as consequencias da respiração pela boca?

1. Qualidade do ar
Como o ar não passa pela via correta, chega aos pulmões sem ter sido “preparado” no caminho.
O primeiro estágio desse “caminho” é o nariz, que é responsável pela filtragem do ar. O resultado da filtragem é a formação de “meleca” que é secreção nasal ressecada combinada com as partículas suspensas no ar (poluição, poeira e microrganismos).
A mucosa interna dos seios da face faz o papel de umidificar o ar e aquecê-lo. Esse é o segundo estágio.
A passagem do ar traz um benefício secundário de retirar a umidade nos seios faciais, reduzindo o risco de sinusites.
Por isso, quem respira pela boca, respira um ar de baixa qualidade, que agride a mucosa do oro nasofaringe.
O nariz e os seios da face também é responsável pela produção de óxido nítrico, mais à frente vamos falar mais sobre isso.
2. Prejuízo na oxigenação
Pouca gente sabe, mas quando respiramos pelo nariz, o corpo produz uma substância essencial chamada óxido nítrico (NO).
Essa molécula tem um papel fundamental na nossa saúde — especialmente na respiração, no sono e até no funcionamento do cérebro.
O óxido nítrico é produzido na cavidade nasal e nos seios para nasais (seios da face) e segue para os pulmões.
Na respiração bucal há uma redução de cerca de 50% nessa produção.
Essa molécula promove a dilatação dos vasos sanguíneos dos pulmões, aumentando o aproveitamento do oxigênio.
Também melhora a circulação sanguínea, inclusive no cérebro, impactando a atenção e cognição.
O oxido nítrico proveniente da respiração nasal promove um sono mais profundo.
3. Respiração bucal e sono: o elo mais importante
O sono de crianças respiradoras bucais tende a ser agitado e com despertares frequentes.
Mesmo dormindo o número de horas adequado, o sono costuma ser pouco reparador e fragmentado.
Isso pode levar à Hiperatividade Paradoxal, ou seja, a fadiga cria uma resposta de agitação em vez de cansaço.
4. Hiperatividade Paradoxal
A falta do sono de qualidade pode fazer o cérebro da criança entrar em estado de alerta compensatório para manter o estado de vigília.
O cansaço, no lugar da sonolência, gera excesso de energia, reduzindo a capacidade de concentração, e deixando a criança mais agitada e impulsiva.
Esse comportamento pode ser confundido com TDAH.
5. Respiração bucal pode causar TDAH?
A respiração bucal não causa TDAH diretamente. No entanto, ela pode gerar sintomas muito parecidos, como:
- Falta de atenção
- Inquietação
- Dificuldade de aprendizado
- Irritabilidade
Em alguns casos, a criança pode até receber um diagnóstico de TDAH sem que a causa real — como um problema respiratório — tenha sido investigada.
Crianças com:
- Agitação
- Baixa atenção
- Irritabilidade
Podem estar:
- Privadas de sono
- Com distúrbio respiratório
- E NÃO necessariamente com TDAH primário
Como a Ortopedia Funcional dos Maxilares pode ajudar?
Ao expandir as arcadas, melhorar a postura da língua e estimular o vedamento labial, a Ortopedia Funcional ajuda a reorganizar o ambiente funcional que permite o melhorar o volume e a qualidade do ar enviado aos pulmões.
Em relação à qualidade do sono, o tratamento com OFM pode reduzir os microdespertares, induzir um sono mais profundo e reparador.
E no cérebro podemos ter um maior aporte do óxido nítrico, com aumento da perfusão cerebral (fluxo de sangue para o funcionamento do cérebro).
Todos esses efeitos têm o potencial de evitar a hiperatividade paradoxal que pode ser confundida com sintomas de TDAH.
Quando é necessário fazer uma avaliação para diferenciar os sintomas?
Crianças a partir dos 3 anos de idade podem ser avaliadas quanto à respiração, mas ainda não estão prontas para usar os aparelhos removíveis de Ortopedia Funcional dos Maxilares.
A partir dos seis anos (em alguns casos um pouco mais cedo) podemos trabalhar com esses aparelhos, aproveitando o crescimento natural da face e estimulando o desenvolvimento das arcadas e a parte funcional como a postura da língua e o vedamento passivo dos lábios (manter a boca fechada sem esforço).
Quando ampliamos uma arcada, não estamos só criando espaço para dentes, estamos criando espaço para o cérebro funcionar melhor
Recolocar o desenvolvimento da função respiratória nos trilhos é importante para todas as crianças, tendo elas o diagnóstico de TDAH ou não.
A oxigenação correta do cérebro é um fator crucial no desenvolvimento pleno de qualquer pessoa.







